quarta-feira, 10 de junho de 2009

solstícios


























"Solstício de Verão", xilogravura de Manuel Ribeiro de Pavia, 1942,
ilustração do conto homónimo de Manuel da Fonseca.


Lembro-me de viagem que fiz no Verão dos meus dez anos, com os meus pais e irmã, pelo Alentejo, e da visita a Pavia e à Casa Museu dedicada à obra de Manuel Ribeiro de Pavia, em Mora.
Nesse Verão, afixei um desenho de Manuel Ribeiro Pavia no meu quarto: um dos desenhos das "líricas" - "a planície" - uma mulher grande, com pés e mãos e olhos grandes, sentada, de costas muito direitas e olhar espraiado.

Cada viagem era uma descoberta de lugares e pessoas que os meus pais nos mostravam sem imporem. Trazia sempre dessas viagens o cheiro dos novos lugares e a curiosidade crescida por pessoas mais velhas que faziam.
Conheci algumas dessas pessoas na época em que o meu pai organizava a Feira do Livro da Lousã e convidava escritores para conversas com os leitores: Alice Vieira a contar as suas histórias a um grupo atento de crianças e a responder a todas as perguntas saltitantes; numa outra vez Mário Castrim, que ao telefonar a Alice a chamava 'mãezinha'; e Manuel da Fonseca com os seus olhos vivaços e o seu sorriso honesto; ... A escrita do Manuel cativou-me pelos lugares cheios de terra e gente que é gente, pelas personagens castiças cheias de vida enrugada pelo sol, pelo humor lúcido.
Comecei a lêr "o fogo e as cinzas" e no Verão seguinte as "Crónicas Algarvias". Apetece-me relêr esses contos.
Agradeço a Maria João Falcão poder lêr - "o fogo e as cinzas" - aqui.
Obrigado Manuel.
E obrigado aos meus pais.

Apetece-me muito fazer outra dessas viagens em família.




(imagem digital surripiada à rua nove)

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