Poderei escrever como começo um gesto? No tempo em que o movimento começa não há ainda coreografia. Sentir, sem saber o que os músculos já sabem: contrair ou não contrair. Estender.
Como posso fazer gestos apenas com a escrita que não sei? Como posso dizer dos dedos às palavras e procurá-las como quem tacteia? O meu corpo lembra-se primeiro da dança, por isso, muitas vezes, é-me difícil falar e escrever. Peço à escrita para não me calar a vontade de poder escrever mais vezes o que somatizo, o que me dói e inquieta e revolta, o que me emociona, o que me move.
Às vezes é como se
as palavras pesassem demasiado no que quero dizer e, de tanto as escutar pela opinião que têm, demoro-me na expressão e procuro outras formas
de comunicar.
Numa mesa redonda há espaço para ideias, sensações e sentidos envolvidos por olhares, gestos e intensidades, em diálogo e em circulação entre todos. No texto por escrito há
tinta e há gravidades concentradas (de quem escreve e de quem lê). ‘Talvez pudesse dançar primeiro e pensar
depois’ disse E. E. Cummings. Mas como? se o gesto é sempre pensamento - sim,
que também sente e sente e por isso se move. Talvez pudesse escrever
primeiro e pensar depois. De cada vez que quero escrever peso tudo o que quero
dizer e fico atarefada na actividade de observar, de pesquisar outras observações,
de pensar e pesar. Trágico, porque generoso seria atarefar-me a escrever
enquanto peso, para assim poder discutir ideias e valor em diálogo convosco. Ensaiar e experimentar.
Como tentar seriedade, expressão e espontaneidade ao mesmo tempo?
A dança morre e morde o espaço em cada gesto. Tentar ser mais ágil. Escrever à mão. Escrever como começo um gesto. ? Começar para escrever.
Ah......... tentar ser mais espontânea e menos analítica. Se para mim estar na leitura já é uma forma de escrita, é como se escrever fosse sempre uma segunda ou terceira leitura: voltar a lêr para voltar a re-apreender. Atormentar-me. Dizer então o que pergunto, e sinto, num determinado momento sobre este mundo onde estamos.
Como tentar seriedade, expressão e espontaneidade ao mesmo tempo?
A dança morre e morde o espaço em cada gesto. Tentar ser mais ágil. Escrever à mão. Escrever como começo um gesto. ? Começar para escrever.
Ah......... tentar ser mais espontânea e menos analítica. Se para mim estar na leitura já é uma forma de escrita, é como se escrever fosse sempre uma segunda ou terceira leitura: voltar a lêr para voltar a re-apreender. Atormentar-me. Dizer então o que pergunto, e sinto, num determinado momento sobre este mundo onde estamos.
Sem comentários:
Enviar um comentário